Projeto de lei do Executivo que autoriza cessão de créditos municipais gera debate entre vereadores na 7ª Reunião Ordinária – Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes

Projeto de lei do Executivo que autoriza cessão de créditos municipais gera debate entre vereadores na 7ª Reunião Ordinária

Publicado em 05 de fevereiro de 2026, por Paulo Henrique Tavares
Foto: Divulgação/Agência Black Mídia

Projetos de lei enviados pelo Poder Executivo começaram a tramitar na Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes, durante a 7ª Reunião Ordinária, realizada nesta quinta-feira (5). As matérias tratam de temas financeiros, urbanísticos, administrativos e de formação profissional no serviço público municipal. Durante a apreciação, parlamentares solicitaram a dispensa de interstício para acelerar a tramitação de propostas. Além disso, um projeto de lei complementar entrou em primeira discussão e votação. As análises ocorreram conforme as normas regimentais da Casa Legislativa.

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Entre as matérias apreciadas no expediente esteve o Projeto de Lei nº 01/2026, de autoria do Poder Executivo, que autoriza a cessão onerosa de créditos tributários e não tributários do município, inscritos ou não em dívida ativa, a pessoas jurídicas de direito privado ou a fundos de investimento regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A proposta gerou debate em plenário.

Durante a discussão, o vereador Henrique Metalúrgico, do Partido dos Trabalhadores (PT), afirmou que o projeto representa risco ao patrimônio público municipal. “Sob uma capa de modernização administrativa, temos aqui uma tentativa perigosa de delapidação do patrimônio de Jaboatão dos Guararapes”, declarou. O parlamentar também criticou a possibilidade de antecipação de receitas futuras com deságio. “A Prefeitura quer vender o que tem para receber no futuro com preço de banana. O projeto fala em vender o que o mercado quer pagar barato, mas em nenhum momento estabelece o limite para o deságio.”

A vereadora Rebecca Regnier, do Partido Social Democrático (PSD), também se posicionou de forma crítica. “Vamos chamar as coisas pelo nome. O projeto autoriza, sim, a venda de ativos públicos, receitas que pertencem ao povo. Estamos falando de vender o futuro para garantir o presente”, disse. Para a parlamentar, a medida não resolve os problemas estruturais das finanças municipais. “Isso é uma maquiagem fiscal”, afirmou. “Nosso dever aqui não é facilitar atalhos, é proteger o futuro da nossa cidade”, completou.

Em contraponto, o vereador Belarmino Sousa, da Democracia Cristã (DC), defendeu a iniciativa. “Uma prefeitura como Jaboatão deve ter bilhões a receber, mas realizável mesmo não chega a 30%. Essa é a grande verdade.” Segundo o parlamentar, a proposta busca recuperar créditos de difícil arrecadação. “Não é um leilão dizendo: ‘esse aqui eu vou vender’. O que se pretende é recuperar alguma coisa que está há 20 ou 30 anos sem recuperação”, declarou.

Ainda no expediente, foi apresentado o Projeto de Lei nº 02/2026, que trata de alterações na Lei Municipal nº 972/2013, relacionada ao uso, ocupação e parcelamento do solo. Durante a apreciação, o vereador Nivaldo do Gás, do Progressistas (PP), solicitou a dispensa de interstício. Também foi apreciado o Projeto de Lei nº 03/2026, que dispõe sobre a concessão de bolsa-auxílio a candidatos do curso de formação da Guarda Civil Municipal. Na ocasião, o vereador Robinson Biro Biro, do Avante, solicitou a dispensa de interstício para a tramitação da matéria.

Na ordem do dia, entrou em primeira discussão e primeira votação o Projeto de Lei Complementar nº 01/2026, que altera a Lei Complementar Municipal nº 50/2024, responsável por definir a estrutura organizacional da administração direta e indireta do município. A proposta prevê a inclusão e modificação de artigos e anexos, com o objetivo de adequar a organização administrativa às demandas de gestão.

Ao final da sessão, as matérias seguiram os trâmites regimentais, com encaminhamento para análise das comissões competentes.

DISPENSA DE INTERSTÍCIO

A dispensa de interstício é um procedimento regimental pelo qual os vereadores solicitam a redução ou supressão do prazo mínimo entre as fases de tramitação de um projeto. A medida permite que a matéria avance de forma mais célere nas discussões e votações, desde que haja aprovação do plenário.

Confira, na íntegra, a 7ª Reunião Ordinária da Câmara: