
Pernambuco registrou o pior índice de feminicídios no último ano com 88 mulheres assassinadas por questões de gênero. Diante dessa realidade, a Câmara Municipal de Jaboatão dos Guararapes promoveu, nesta quinta-feira (18), Audiência Pública de Combate ao Feminicídio e a Violência Contra Mulheres. O debate reuniu parlamentares e movimentos sociais para cobrar eficácia nas medidas protetivas do sistema de Justiça. A reunião atendeu ao requerimento do vereador Henrique Metalúrgico, do Partido dos Trabalhadores (PT). O contraste entre os dados e as ações municipais direcionou as propostas institucionais no evento.
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Autor da solicitação, Henrique Metalúrgico (PT) alertou para os indicadores que colocam o município como a segunda cidade do estado em casos. O parlamentar defendeu o seu projeto de lei 18/2026, afirmando que “a subnotificação e a falta de clareza nos mapa de violência serve apenas para proteger o agressor”. Para ele, as informações transparentes são fundamentais para salvar vidas, pois “mais de 80% das mulheres vítimas de feminicídio morre sem sequer registrar um boletim de ocorrência”.
A delegada Cláudia Gonzaga revelou o registro de 16 casos de feminicídio, entre tentados e consumados, em Jaboatão neste ano de 2026. A autoridade policial fez um apelo público ao plenário e pediu “o reforço do efetivo policial, ampliação do quadro de escrivãs e mais viaturas”. Representando o Poder Judiciário, da Vara de Violência Doméstica, a defensora pública Luana Dalla Rosa endossou a urgência de amparo ao relatar que “muitas dessas mulheres chegam completamente destruídas porque quando elas chegam a procurar a delegacia, muitas vezes elas já passaram por diversas violências”.
O foco na prevenção por meio da educação concentrou a fala dos representantes civis e da bancada feminina na Casa Vidal de Negreiros. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Jaboatão dos Guararapes (Sinproja), Marcelo Galdino, enfatizou que “a disputa cultural se faz também no chão da escola” e que o machismo não é natural. Ratificando essa visão, a vereadora Flora Felix, do Partido Renovação Democrática (PRD), defendeu a inclusão do tema de forma obrigatória na grade curricular para que a violência seja debatida desde a educação infantil.
A necessidade de reação também foi defendida pela vereadora Jeane Cândido, do Partido Renovação Democrática (PRD), que declarou que “proteger uma mulher é proteger família, é proteger gerações e proteger futuros”. No encerramento do evento, as sugestões colhidas na plenária foram reunidas para encaminhamento oficial aos órgãos competentes. O momento final também foi marcado pelo ato de Henrique Metalúrgico (PT), que conduziu a entrega de um certificado de reconhecimento ao Coletivo da Mulher de Jaboatão por sua trajetória de lutas na cidade.
Confira, na íntegra, a transmissão oficial da audiência pública abaixo: